domingo, 27 de novembro de 2011

Agentes de Mudança

(Boy With Balloons, foto de Kamala Kannan)



Proatividade é mais que a capacidade de tomar iniciativas. Reatividade, mais que apenas reagir aos fatos.
Parece que as ações é que os determinam, e sabemos que nossos pensamentos e emoções geram as ações. Assim, cada um é responsável por aquilo que cativa. Mas o que diferencia, então, o proativo do reativo?
Simples: o posicionamento mental.
Os termos utilizados aqui se referem apenas a dois aspectos de uma mesma natureza: o padrão mental utilizado para perceber, reconhecer e se integrar ao mundo.
Uma coisa é certa, o ser humano age com base em recompensas. Um pensamento, e consequentemente um comportamento, são repetidos conforme a dose de satisfação que geram.
O erro é esperar que essa tal recompensa venha de algo ou alguém. Justamente aí encontramos a principal diferença entre quem “re-age” e quem “pro-age”.
O reativo procura fora. Seu principal objetivo é o reconhecimento. Espera que o mundo e as pessoas reconheçam sua grandeza.
O proativo procura dentro. Seu objetivo é a realização, ou seja, a reafirmação de sua potencialidade a cada oportunidade de falar, pensar e agir.
Não basta esperar pra ser notado, agraciado e reconhecido. É preciso encontrar seu real objetivo, seu caminho verdadeiro. Para isso, nós é que devemos tomar as rédeas de nossa vida. Ser os agentes de mudança.
É nisso que consiste a proatividade, ela emite a força que gera o processo de criação, a busca, e a transformação que expande o ser - de dentro pra fora. Faz com que você mesmo seja o centro de referência. Faz pensar: como posso ser melhor do que fui ontem?
O proativo é a causa. A reatividade é o efeito, a falta de argumentação expressa na lamentação. O que está por trás disso nem sempre é o comodismo. Muitas vezes é a falta de percepção de si mesmo, do seu talento, daquilo que fazemos melhor, de forma natural, espontânea, e por isso, gratificante.
Reconhecer seu objetivo é fundamental. É a mola propulsora que, a cada atitude, lança pra frente, e faz você perceber que o plano está funcionando.
Porque a melhor estratégia é sempre a nossa. E o resultado aparece da forma como projetamos.
Para os crentes, é a lei do carma.
Para os céticos, é o mérito.
Para todos, é a felicidade.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Código de Conduta

(Licancabur Volcano, foto de Hugo Machado)



A moral equilibra os pratos da balança social.
Só que há as emoções, que ora pesam de um lado, ora pesam de outro.
Desestabilizam. Movimentam.
O princípio do prazer desperta o herói que enfrenta o dragão, o herege que enfrenta o inquisidor.
O passarinho que quer fugir da gaiola dos bons costumes.
Já que não dá pra ignorar os instintos, a gente abafa.
Finge que o vulcão está inativo.
Em nome das normas, do comum, e da fôrma politicamente correta.
Eis que surge o problema.
Sentimentos não tem freio, ideias não tem borda, desejos não tem limites.
Cabe, então, às regras, conter os desatinos. A grande ironia é que, com ela, vem a vontade de quebrá-la.
Pois se não houvesse o proibido, tampouco haveria violação.
Mais importante que seguir um código de conduta é ser dono de si, de seu demônio, de sua fraqueza, de sua consciência.
Pois essa é que forma o caráter.
Mas, principalmente, ter a autonomia de assumir a responsabilidade por tudo o que faz.
Pensa.
E sente.



segunda-feira, 7 de março de 2011

Feliz

(Smiling Girl, foto de Catherine Whitford)



Quero falar, sem ter que explicar.
Sentir, sem ter que definir.
Percorrer, sem ter que medir.
Lembrar, sem ter que ir.
Saber, só por deduzir.
Viver, só pra ser feliz.

Apenas Um



Na calada da noite, os amantes de encontram.
A espera foi longa. Ora se arriscaram. Ora desistiram.
O único desejo era se encontrar de novo, e sempre.
Os planos traçados, minuciosamente, se arrastavam pelos dias.
O contato era escasso.
A saudade, vasta.
A pele já é fogo, a mente fumaça.
Fazem qualquer coisa pra se ver.
Se aprumam, se lançam, se aportam.
Se avistam, se colidem, se habitam.
Ela só fica em paz quando encontra os olhos dele.
Ele só é inteiro quando sente as mãos dela.
Como espelhos, ela se vê nele, e vice versa.
Como rios, seus limites se confundem.
Não se sabe onde um acaba e o outro começa. São apenas um.
Assim suas almas se encerram.
Vedadas.
Decididas.
Completas.


domingo, 6 de março de 2011

Navego

(Niger River, foto de Brent Stirton)

sábado, 5 de março de 2011

Acorrentado

(King Kong, filme de Peter Jackson)



Ele atravessa rios e montanhas
Caminha pela vastidão
Luta contra adversários
Maiores em tamanho
Não em convicção.

Carrega sua carga adorada
Levando-a em seu dorso
Sem saber
Que ele é o capturado
E ela o calabouço.

Sua, sangra, dilacera.
Seca, estanca, regenera.
Assim segue em frente
Sempre crente
De que pode superar tudo.

Agora recomeça a sua jornada
Já sabendo
Que sem sua vida acorrentada
Á sua presa conquistada
Ele é nada.

Liberdade

(Horse, foto de Johann Karlsson)


A liberdade está no coração.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sintonia


Sintonia
Não é afinidade
É pensamento sincronizado
E coração compassado

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fim de Expediente


(Manazna, óleo sobre tela de René Magritte)


Quando o sol bate na janela e anuncia a sexta-feira, recebemos um convite irresistível pra sair pro mundo e fazer valer o dia. Encerrar a semana com chave de ouro e com a consciência tranqüila na troca dos turnos do dever e do lazer.

Inevitável não pensar no fim da tarde logo no primeiro gole do café matinal, afinal, quem é que não espera ansiosamente pelo fim de semana desde as primeiras horas da segunda-feira?

Pensar que será um dia produtivo no trabalho é otimismo. A sexta-feira é o aviso prévio da semana, a despedida em prestações, a empolgação na fila esperando sua vez!

Nesse dia, parece que todas as coisas se compadecem da nossa ansiedade, e desaceleram. Assumem logo a velocidade do ponto morto. Nada, tampouco ninguém, tem pressa, porque só quer sentar e ver a banda passar, ou melhor, o expediente acabar.

O almoço e a sobremesa se estendem, assim como as reuniões e as conversas de corredor.

- Vai fazer o que no fim de semana?

- Ficar à toa.
- Dormir.
- Viajar!

O casual day segue assim, nessa expectativa coletiva pela noite do sábado e o almoço do domingo.

Pra marcar seu encerramento, a frase que é música para os ouvidos:

- Tchau pessoal, bom fim de semana.

Assim chega o par de dias que tanto esperamos.

Momento de trocar o social pelo pessoal.

O crachá, pelo chinelo.

E o prazo, pelo tempo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Romance


(Beating of my heart de Alfred Gockel, 2005)




Eu sou romântica. Intensamente sentimental. Secretamente piegas.
Sonho acordada, floreio e adorno as situações, coloro nas mais variadas nuances. Coloco uma colher de açúcar em tudo.
Num ato, um fato, um caso, um texto; com uma piscada, uma música, uma palavra, incluo o romance. É como o cheiro ou o som. Num relance, surge a impressão, a sensação, a comoção.
Não sei se é coisa do zodíaco ou dos hormônios. Só sei que adoro mar de rosas, passarinho verde, dia ensolarado. Me inebriam os textos da Clarice (Lispector) e do Pablo (Neruda). As composições do Djavan e a voz da Paula Fernandes (veja abaixo), me diluem por dentro.
Mas esse romantismo todo não é o tradicional.
Não gosto de receber flores, gosto da natureza viva. Flor bonita e aromatizada, só se estiver plantada. Também não precisa abrir a porta do carro, afinal, tenho braços e pernas saudáveis.
Uso com cuidado as palavras amor e amar. Por isso, ao ouvir o tão gasto "eu te amo", tenho coceira! E uma vontade louca de contestar. Pela carga enorme de sentimento, é a mensagem que deveria ser transmitida apenas por atitudes, gestos.
Romântico mesmo, pra mim, é aquela dose inesperada e gratuita de sensibilidade, que cada um expressa com seu jeito, naquele momento que não foi escolhido. Vulnerabilidade destemida, despretenciosa, entregue num ato cheio de valor e sentimento.
Tenho em mim esse pulsar, esse enamoramento, que nunca me abandona.
Estou sempre apaixonada. Por algo, por alguém.
É no ritmo dessa palpitação que danço. E vivo.





video

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Segunda-feira


(Grizzly Bear, foto de Carol Bock)



Segunda-feira. Começa morosa, lamentando o fim dos dias de folga.
Ociosa, resistente em se lançar.
Teimosa, se esparrama. Prefere espreguiçar.
Sugere o ritmo, e nele me embalo.
Se pudesse, levaria em mim o pijama e o morno da cama.
O cheiro do ninho, o peso nos olhos.
Tateando o caminho, confio no rumo que a indolência proclama.
Acordo devagar, me deixo vaguear. Só assim consigo estrear.
Sinto o torpor se despedir ao longo do dia, conforme a rotina se apresenta.
Tardia, acolhedora.
Com os reencontros tão esperados.
E o recomeço, inegavelmente, tão desejado.

domingo, 19 de setembro de 2010

Escolta

(Sea Oats, foto de Medford Taylor)
www.nationalgeographic.com



Cave um túnel
Construa um atalho
Encurte seu caminho de volta
.
Venha correndo
Maroto como o vento
Minha saudade te faz escolta.
.
.
.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Revelado


(Olho a Olho, óleo sobre tela de Edvard Munch, 1894)



Você tenta ser secreto
Mas pelos cantos dos olhos escapa
Teu anseio em pertencer
Pelas frestas da boca
Coisas que não é preciso dizer

Nos rastros dos meus passos
Captura meu cheiro
E dele se faz refém

Pra azar dos teus cuidados
Eu te olho, e vejo além

Teu desejo é meu desejo
Não precisa ter segredo
Nem pra mim
Nem pra ninguém.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vem...


dispa-me de mim
cubra-me de ti
traga seu querer
e pra sempre assim
mesmo se partir
terás todo meu viver

domingo, 25 de julho de 2010

Estrada



Saí cedo, quase junto com o sol.
Não tinha pretensões. Não tinha rumo.
O que tinha era uma vontade de partir.
E uma trilha sonora.
Arrisquei caminhos, mas não me detive em um lugar.
No sentido do vento e esquecendo-se do tempo,
estava entregue à liberdade.
Liberdade de começar e não precisar terminar.
Partir, e não ter que chegar.
Voltei, então, com o mesmo que levei comigo.
Pois nunca há do que fugir, apenas lidar.
Percebi que não se tratava de origem e destino.
Tudo o que precisava era a estrada.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia de Sol


DIA DE SOL TRAZ CONSIGO UM TODO AZUL
FRESCOR DO VENTO DENUNCIA QUE É INVERNO
ANDORINHAS JÁ ESTÃO NO SUL
(COMO NÓS)
À PROCURA DO COLO MATERNO:
CALOR

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espera

(Bike Ride, foto de Chris Colbourne)

Dia após dia
A espera aumenta o vazio
Tão vasto
Às vezes nem vejo onde se encerra.
Não me desespero
Um dia será preenchido.
E então,
de tão cheia,
serei plena.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Por causa...

(Barley Field, foto de Gemma Collier)


Já errei por tantas vezes
Que nem mais contabilizo
Mudo o que consigo
Com o que não posso, silencio
Uns se vão, entendo os motivos
Outros ficam, criando escudo
Só desejo que o amor sobreviva
Não apesar
Mas por causa de tudo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Febre


Aproxima-se devagar.
Não por receio, pois já estão a sós.
Por não ter pressa.
Afasta o cabelo, cheira o pescoço.
O primeiro toque quebra a barreira
construída pelo tempo e pelas dúvidas.
Invade a cintura com as mãos
e com elas, quentes, passeia pelas costas.
Puxa pra perto a ponto de colar o corpo todo no seu,
e assim sentir sua palpitação...
Agora passeiam os lábios.
Beija com voracidade porque tem ambição.
E sede.
Faz da sua boca o dedo do cego,
desvendando os segredos do corpo em braile.
Intenso, concentrado,
nem imagina o quanto seu anseio a entorpece.
E a desperta.
Escrava dos seus desejos, acorda com o corpo em chamas.
Na escuridão da noite e das suas esperanças,
caminha até o chuveiro e se propõe um banho gelado.
Mas não há água que possa curar a sua febre.



quarta-feira, 2 de junho de 2010

Desejo Proibido


(Figuras na Praia, óleo sobre tela de Pablo Picasso, 1931)


Não sabe se pára ou continua
Parar significa ser devorada por ele
Continuar, sorver em colheradas
Enquanto não decide, fica só com o cheiro
Mas ele não mata sua fome.


Angústia


(Tuareg Tribesman, foto de Bobby Model)



Se não pode controlar a situação
Controle a si mesmo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Inteiro


(Love is in the air, 2008)


Depois do furto
o amor
sorrateiro
devolve o coração
lapidado
e inteiro.

domingo, 16 de maio de 2010

Fases


(Hanging Laundry, foto de Tyrone Turner)





As fases não batem à porta.
Simplesmente entram.
Não há preliminares, flores ou bombons.
Tampouco beijo de despedida.
Começam e terminam como ventania
Deixam apenas a lição aprendida.
Algumas vezes nem exigem escolha
Apenas adaptação.
Não fazer nada também é opção.
Busque pelos seus motivos
Sem inibir a transformação.
Uma fase se inicia por pura precisão.
Abra a janela, pegue o recado, deixe-a ficar.
Pois trata-se apenas
Do seu período de evolução.



sábado, 8 de maio de 2010

Paixão Leviana

(Os Amantes, óleo sobre tela de René Magritte, 1928)


A caminho da livraria.
Depois de toda espera vou buscá-lo. Ansiosa como quem tem saudade.
Pego e levo em meus braços saboreando minha posse.
Sinto o cheiro, a textura das páginas e analiso sua estética, quase do mesmo jeito como quando vejo meu amado dormir.
Tem tanta gente aqui. Quero um tempo com ele.
Quero um canto e um silêncio pra fazer amor com as palavras.
Vou andando orgulhosa e com a altivez de um jogador que fez o gol do título.
Ao chegar quero, de um jeito declarado, apreciar não só o conteúdo. Confesso, não sou puritana. Quero também apreciar sua forma e seu poder sobre mim.
Enfim, sós.
Eu nem pedi (acredite) mas começou a chover.
Há melhor cúmplice pra dois amantes que a chuva?
Eu não conheço...
Não tenho muito tempo, pena, meu homem está vindo me buscar.
Ele que me entenda e me perdoe, mas hoje não é amor que quero.
É paixão leviana e incurável. É meu livro.

domingo, 25 de abril de 2010

Pausa


(Meio-Dia: Intervalo para a Sesta, óleo sobre tela de Vincent Van Gogh, 1890)


Pausa. Pra respirar, olhar a chuva, tomar um café. Ou perder o pudor por um momento e soltar aquele grito preso na garganta, como se com ele saísse todo nosso pesar.
Como não é fácil lidar com nossa rotina, às vezes precisamos parar tudo e nos reorganizar.
Raramente nos dedicamos a uma coisa só... Sempre temos família, trabalho, estudo, vida social e, por que não incluir aqui, passatempo.
Tem horas em que a rotina é enfadonha, e tudo o que queremos é um tufão! Que nos abale e nos movimente. Pra frente, claro!
Tem horas em que a rotina é voraz, avassaladora, e tudo o que queremos é um pilar pra se escorar ou um sofá pra deitar. O tempo fica sem tempo, e a gente só quer parar.
Parar os movimentos, parar os pensamentos. Uma Pausa.
Parar o fluxo das suas atividades talvez não seja suficiente. Pode ser preciso fugir pra outro lugar... E como seria bom se tivéssemos uma montanha, ou uma lua, sempre disponível pras nossas necessidades de isolamento e reconstrução.
Cada um sabe da pausa que precisa. Ela não pode ser muito curta, a ponto de não nos recompor o suficiente. E se for muito longa, corremos o risco de nos deixar dominar pela preguiça, e perder de vista nossos objetivos – que, no final das contas, são a causa da vida frenética que levamos.
Então, use a rotina a seu favor e não deixe ser devorado por ela. Ouse interrompê-la por um bate-papo, uma meditação ou por aquele livro que está na sua cabeceira há vários dias sem ser aberto...
É natural sairmos do centro. A rotina faz isso mesmo. Aí vem a pausa pra que, bem devagar ou num piscar de olhos, possamos voltar ao eixo da nossa vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Timidez


(Ícaro, guache recortado de Matisse, 1947)

A liberdade humana, o céu entre estrelas no azul mais puro do espaço.


Identidade e comportamento são coisas bem diferentes.
Não dá pra dizer que uma pessoa é tímida, mas sim que é dominada pela timidez em algumas situações.
Nessas situações, ela fica mais exposta do que gostaria, e não tem coragem suficiente pra lidar com as conseqüências disso.
Nunca conheci alguém que fosse tímido todo o tempo. Afinal, há muitos momentos em casa, no trabalho ou com os amigos que a pessoa tem total segurança no que faz e como faz, por isso não se sente intimidada. Mas isso só acontece porque ela já o fez muitas vezes, porque esse é um caminho totalmente seguro. Para isso não é necessária a coragem, mas sim a repetição. E, obviamente, para chegar na repetição é preciso passar pela primeira vez.
Quantas vezes já deixou de fazer algo pela inútil preocupação com o que vão pensar e com o que terá que ouvir, ver e sentir? E quantas vezes ainda vai deixar de fazer?
Enrubescer-se quando algo ou alguém invade e desafia o que você quer manter internamente seguro, é natural.
Esperar pelo epitáfio pra concluir:
"Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais, e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer."
Isso sim está fora dos padrões.
Desafie a si mesmo e à sua timidez, nos momentos em que ela aparecer.
Ainda que haja amarras, o tamanho da corda só existe na nossa cabeça.
Estamos aqui para ser livres.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Máscaras


(Mulher em Frente ao Espelho, óleo sobre tela de Picasso, 1932)


Nos teatros da Grécia Antiga, os atores usavam máscaras pra compor seus personagens. Tais máscaras receberam o nome persona, devido ao uso de um pequeno microfone embutido para que o som chegasse aos expectadores (per sonare).
Não por coincidência, essa palavra originou a que hoje conhecemos bem: personalidade.
Personalidade é o que caracteriza uma pessoa como única. Cheia de manias, jeitos, pensamentos, ações e reações, que foram sendo construídos com genes, meio ambiente e tempo!
Mas, sendo nossa natureza única, como conseguimos tantas máscaras, tantas formas de apresentarmo-nos ao mundo?
Há quem use máscaras para proteção. Cria uma imagem para que o mundo o aceite não como é, mas como acha que deve ser. Preservando sua real identidade, pode trocar de máscara assim que a situação exigir, mantendo-se sempre socialmente aceitável e, melhor, intacto, pois não tem sua verdade revelada e, conseqüentemente, questionada.
Mas há quem use máscaras para enganar e iludir. Desconfie das mais fascinantes e atraentes, pois carisma - característica mais valiosa quando falamos em grupos – é algo que alguns tem, e outros fingem ter.
O interessante é que as máscaras escondem, mas não totalmente. Deixam uma parte do rosto à mostra, permitindo que os observadores mais perspicazes vejam além do personagem.
Para conhecer alguém como realmente é, preste atenção na parte intencionadamente oculta, pois é aí que ela mais se revela!!!




sábado, 6 de fevereiro de 2010

Entardecer


(Setting Sun, foto de Michael Yamashita)
www.nationalgeographic.com


O dia está acabando, e a noite começando.
Mas não é dia, nem noite. É fase de transição.
É um presente que recebemos.
E é o presente, momento único,
podemos analisar o passado e planejar o futuro.
O entardecer traz o resultado,
não importa se os fatos do dia foram bons ou ruins.
Foram necessários.
E então o sol faz o que, no fim, todos desejamos.
Fez sua parte, beijou seu horizonte, e foi dormir.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pré-conceitos


(Eye to eye, foto de Margaret Deaner)
www.nationalgeographic.com


A primeira impressão é a que fica.
Mas de onde ela vem? Ora de nossa parcial observação, ora de comentários alheios. Às vezes equivocada, sempre precipitada.
Achar que podemos conhecer o todo considerando apenas uma parte é um grande equívoco. É substituir a verdade por um ponto de vista, e são coisas bem diferentes!

Definir alguém por seus comportamentos e pela maneira como eles o atinge é audacioso e narcisista demais.
Julgar é adaptar sua teoria à pessoa, ou a pessoa à sua teoria? Dá na mesma. É condenar sem direito a defesa. Rejeitar uma idéia porque ela lhe parece estranha.

Parece até uma competição: ressaltando os defeitos de alguém, achamos que os nossos se ocultam.
Culpar alguém pelo que não fez, e limitá-lo pelo que parece ser, terá sempre a mesma conseqüência: chegará o momento em que você terá aquela horrível sensação de fracasso, de ter sido enganado por alguém ou, pior, por si mesmo.
Mas aí você lida com isso pensando: puxa, ela é melhor do que eu pensava.
E se sentirá bem melhor por, finalmente, dar uma chance ao desconhecido.



Aprendendo com o tempo...


(Personagem a Uma Janela, óleo sobre tela de Salvador Dalí, 1925)



Com o tempo a gente aprende.
Aprende a demonstrar um sol no rosto, mesmo nos dias mais escuros.
Aprende que fazer parte de um grupo é bom, mas não é essencial. E que sua auto estima não depende da aceitação de ninguém.
Aprende a não se magoar, porque sabe que qualquer um pode errar. E você aceita o que as pessoas fazem sem achar que agem contra você.
Aprende a não desejar o mal, porque a raiva e o ódio direcionados a alguém só faz mal a você mesmo.
Aprende que há uma grande diferença entre compreender e aceitar, gostar e respeitar, ser e estar.
Aprende que ninguém muda por imposição, mas sim por opção. E que tentar mudar alguém pra atender as suas expectativas é frustrante como esperar que um cachorro mie.
Aprende que somente com o tempo as feridas são curadas, e que não vale a pena sofrer pelo que não podemos controlar.
Aprende que milagres não existem, pois cada um tem a cruz e a bênção que merece.
Aprende a discernir paciência de passividade, brutalidade de firmeza, indiferença de imparcialidade.
Aprende que a fidelidade deve começar consigo mesmo.
Que o apego limita, o desejo aniquila, e só o amor liberta.
A gente aprende a cultivar a paz no lugar certo: aqui dentro.
Mas só com o tempo.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Laços Frouxos


(Little Foot, foto de Jason Two bulls)


Em nossa vida moderna, as relações de confiança foram trocadas por networking. E "relacionar-se" foi trocado por "conectar-se".
Atualmente as conversas através de sites de relacionamento são mais frequentes que o tête-à-tête. Conhece-se pessoas através de um perfil construído com a foto mais bonita, as principais qualidades (umas que só existem na teoria) e com a falsa idéia de possuir 100 ou 500 amigos. Relações se iniciam com o apertar de um botão, e da forma podem ser finalizadas.
Entre os homens da atual sociedade, os laços construidos são, intencionalmente, frouxos, pra que possam ser desatados a qualquer momento, sem delongas. A chance de aparecer alguém mais legal, mais atraente e mais interessante existe, e não pode ser desperdiçada. Conviver com os problemas trazidos pelo relacionamento não é mais tão aceitável.
Assim, os vínculos são cada vez mais frágeis e superficiais. Para alguns, o bem-estar reside na possibilidade de trocar de parceiro ou de amigo no momento em que ele não mais atende as expectativas. Ter o que se quer. Para outros, na fascinante habilidade de desejar o que se tem.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Fome de Humanidade


(Tree Branch Swing, foto de Jhulan Mahanta)


Não aguento quem diminui os valores humanos pra aumentar a receita liquida.
Quem nega as evidências.
Fala A e faz B. Ou fala alfabeto, e não faz vírgula.
Quem te conhece profundamente num dia, e no outro já não reconhece.
Quem não olha nos olhos, por pura falta de coragem.
Não aguento quem aponta o diferente, o que não segue o fluxo e não se encaixa na fôrma da aceitação social.
Quem ri do feio, achando que sabe o que é a real beleza.
Menospreza o vermelho, só porque não consegue sair do cinza.
Não aguento a resignação de quem é marcado pelo crachá.
Lembrado pela cor da gravata, e não pelo rosto e o timbre de voz.
Boi que segue a boiada, sem saber que rio que tem que atravessar, ou que porteira que tem que entrar.
Não aguento quem bebe água suja e põe a culpa na torneira.
Vê a vida passar pelo vidro.
Terceiriza atividades pra que sobre tempo, e depois nem sabe o que fazer com ele.
Não aguento quem tem tanto pudor que é incapaz de entender uma fraqueza.
E de tanto andar em linha reta, acha que uma curva é o final do caminho.
Não aguento a morosidade e o morno.
Desconfio dos ponderados e discretos.
Tenho fome de humanidade, verdade, de verde e de ar puro.
E nada me alimenta mais, que um sorriso sem porquê.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Segredos

Talvez a vida não seja um enigma a ser resolvido,
mas um mistério a ser vivido.
Cheia de segredos, e as dicas se apresentam...
Os mais atentos desconfiam.
Os sábios desvendam.
A obscuridade ou a clareza das coisas da vida
está nos olhos de quem vê.


(Escultura de Hamlet na Inglaterra)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Água de Rio


(Rio Yangzi - China, foto de Peter Morgan)


Não é preciso apressar, ela corre sozinha.
Água que, as rochas duras e resistentes, desgasta.
As maleáveis, esculpe.
Passa por lugares impensáveis, não pára nunca.
Abre caminhos e cavernas.
Água que corre nas veias, e busca o oceano.
Margens, limitam mas não seguram a correnteza.
Afluentes, formas distintas de chegar ao mesmo destino.
A foz não é o fim.
É o recomeço.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Conhecer Alguém

Conhecer alguém.
Nada melhor para renovar as idéias e os sentimentos.
Fazemos uma busca por nossas mais atraentes características, e as apresentamos ora como folheto, ora como outdoor.

Se for paquera, LET´S GET IT ON de Marvin Gaye.
Se for amizade, um sorvete na esquina.
Se for trabalho, happy hour!

Jogamos a isca para que o melhor peixe a fisgue.
Melhor ainda se for um cardume!
Acredito que o que nos atrai em alguém é a diferença, é o desejo de complemento.

Já temos o preto, queremos o branco.
O que nos une é a afinidade.

O que nos mantêm é a troca, a soma, que tudo aumenta e melhora.
Se há divisão, uma hora chega ao zero. E acaba (assim mesmo, matematicamente).

Um dia ouvi de alguém o segredo da relação de amizade de anos e anos com outro alguém, e nunca esqueci: "A gente quase não se freqüenta!"

Depois de um tempão de convivência, aquela busca pelas mais atraentes caracteristicas já não existe mais. Já conhecemos os piores defeitos.

A busca passa a ser pela cola que os grudou.
"O que eu gostava nele(a) mesmo?"
Não importa mais! Afinal, cada um contém um pouco do outro em si.

Melhor que fazer novos amigos, só mesmo conservar os antigos.
Melhor que se apaixonar por alguém ...
só amar a si mesmo todos os dias.




video

(Marvin Gaye - Let´s Get It On live in Montreaux 1980)

sábado, 14 de novembro de 2009

O Que Você Faz de Melhor

Todo mundo é bom em alguma coisa. E ser bom compreende acreditar em si mesmo, dedicar-se e compartilhar o resultado.
Quando investimos nossas forças pessoais em algo, além de perder a noção de tempo e ter uma grande satisfação, o resultado é aparente e às vezes surpreendente.
Não importa se o que você faz de melhor é cuidar da sua casa e dos seus filhos, da sua empresa ou de si mesmo. Se é cozinhar, escrever ou andar de bicicleta.
Abrace o que tem que ser feito e coloque o seu coração, que o corpo vai junto.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Importância dos Sonhos


(A Dança, óleo sobre tela de Henri Matisse, 1910)

O azul representa o céu, o verde o mundo terreno, o vermelho dos bailarinos o barro da criação.
Tudo é movimento.


Quem nunca ouviu a frase: “a vida é curta pra mais de um sonho”? Eu já ouvi, e discordo totalmente. Feliz é aquele que sonha sempre, se renova sempre, e tem sonhos e mais sonhos. Sim, no plural.
Não fossem nossos sonhos para nos trazer movimento, busca, motivação, nossas vidas seriam vazias. Tão vazias que sequer perceberíamos a passagem do tempo e o “engrandecimento” do espírito.
Ainda que os sonhos não se tornem realidade, é por eles que caminhamos sempre em frente. Enquanto temos um objetivo, realizável ou não, possível ou impossível, temos razão para levar a vida de forma verdadeira e cheia de significado.
Pra começar, sonhar exige autoconhecimento. Saber o que se é e o que se quer. Não é difícil, basta prestar atenção à sua própria voz.
Sonhar também exige paciência, persistência e compreensão, afinal, a linha que separa a realização da frustração é muito tênue. É importante ter a consciência de que sempre haverá sonhos que podem não se realizar, mas que darão lugar a outros.
Assim o ciclo se repete, sempre, a cada realização ou desistência.
Bom mesmo é saber que o melhor da viagem não é o destino, mas o percurso.
E que venham os sonhos! Fazer do caminho – com seus desvios, troncos e barrancos – a verdadeira razão da viagem.

Lute


(Mulheres Correndo na Praia, óleo sobre tela de Picasso, 1922)


Há sentimentos que não devem ter pudores. Nem amarras, limites, barreiras.

Se estiver com saudade, ligue.
Se estiver em dúvida, arrisque.
Se precisar abrir mão, deixe ir. Talvez não haja tempo e sintonia.
Mas se ainda acredita, lute.

Não desista enquanto achar que o caminho não acabou. Se ainda há atalhos, siga. A coerência que é preciso ter deve ser medida através do bem e do mal que está fazendo a si mesmo. Fuja do mal como de uma briga, e defenda o bem como ao irmão caçula. Cuidado com os ganhos secundários, que podem inibir o fato de que aquilo não se encaixa mais na sua vida. Defina o que é essencial pra você se sentir bem e deixe-se surpreender.
Filtre as impurezas, e beba a relação como água fresca.

Como definir seu limite?
Quando se trata de ser feliz, há sempre algo que ainda pode ser feito!



domingo, 8 de novembro de 2009

Aceitação


(Happy Feet - Filme lançado em 2006 que conta a história de um pinguim
diferente dos demais, porque ao invés de cantar, sapateia.)


Conviver com pessoas sintonizadas e cheias de afinidades com seu jeito de ser é maravilhoso. O desafio é conviver com as idiossincrasias, as perturbadoras diferenças e manias de cada um.
Enquanto a pessoa ouve Iron Maiden, você Tom Jobim.
Ela come pizza, você uma salada.
Ela lê manuais, você poesias.
Ela pede um vinho, você um refri.
Ela é água, você é fogo!
Enquanto um tende a ser normal, seguindo as normas da sociedade, você prefere ser natural, seguindo sua natureza...
E a recompensa que temos com uma convivência cheia de discrepâncias e distinção entre as personalidades? Aprendemos a ser flexíveis e tolerantes para aceitar, incorporamos o que de bom encontramos no próximo.
E ainda que seja estranho, não é inexplicável, e você pode até perceber que foi a própria diferença que os uniu!


sábado, 7 de novembro de 2009

Anjos e Demônios


(Cabeça Rafaelesca Arrebentada, óleo sobre tela de Salvador Dalí, 1951)


Eu quero desvendar o lado obscuro do ser humano, revelar anjos e demônios.
Eu quero deslumbrar e extasiar a beleza dos anjos, ainda que seja subjetiva e, por vezes, sombria.
Eu quero desafiar a petulância dos demônios, ainda que seja assustadora e, por vezes, surpreendente.
Eu quero colocar o repulsivo e o belo lado a lado, pra comprovar o que eu já sei:
Eles não se opõem, se complementam.
De um se extrai o outro, porque um compõe o outro.

Culpa


(A Madalena Arrependida, óleo sobre tela de Caravaggio, 1597)


Só consegue escapar da culpa quem for mais veloz que a luz.
Comer demais, faltar na escola, brigar com a mãe nos traz culpa. Magoar alguém, trocar o dever pelo prazer, e até mesmo não amar aquela pessoa que tanto nos ama, também traz uma culpa danada.
Tem culpa avassaladora que abala nossas estruturas (essa já provei!). Há muitas que causam dor suave, porém profunda, como palavras duras ditas por voz macia.
Às vezes um pedido de desculpas não aplaca a dor, mas ao menos prova que a intenção não foi das piores. Ao contrário. Sempre que erramos, tentamos acertar. Toda ação, mesmo que negativa, carrega uma intenção positiva.
Quando há culpa, o primeiro a ser perdoado é você mesmo. Não precisamos da repreensão de ninguém, se não da nossa consciência. Com ela, tudo fica mais difícil, e a culpa fica mais pesada. Mas como a vida tende sempre para o equilíbrio, não pesa nada mais do que conseguimos carregar.
Assim a gente aprende e segue adiante. Assim o universo conspira ao nosso desenvolvimento, ao nosso poder de percepção e evolução.
Errar é humano, pedir desculpas é nobre, mas saber perdoar a si mesmo é que é admirável.
Bem melhor quando cuidamos bem do que temos, ficamos vigilantes, agimos com ética e com o coração, e não temos que lidar com um fantasma atrás da porta.
Mas se tivermos que lidar, que seja com coragem.
Bem recomendou Raul Seixas:
"Convença as paredes do quarto e dorme tranqüilo.
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo."

Arrependimentos


(O Negro Cipião, óleo sobre tela de Paul Cézanne, 1867)


Quem nunca sofreu por ter tomado a decisão errada, que atire a primeira pedra. Até mesmo quando tomamos a decisão que julgamos ser a certa, corremos o risco de sofrer com as conseqüências.
A cada dia nos deparamos com situações que exigem uma escolha, que se apresentam como uma encruzilhada, e assim escolhemos um caminho e o seguimos. Muitas vezes nem precisamos chegar à metade dele pra perceber que o outro sim poderia ser o melhor, mas nem sempre podemos voltar.
Não devemos voltar! Devemos seguir em frente, pois é isso que a vida exige.
Arrependimentos devem fazer parte da nossa experiência, das lições aprendidas, da bagagem que carregamos o tempo todo e pra todos os lugares; deve representar algo natural e aceitável, não um peso a carregar, que cansa e limita. Afinal, é através da dor que crescemos e evoluímos.
E por que não aproveitar o lado positivo da situação? No caos encontramos a simplicidade. No asfalto pode surgir uma flor, “furando o tédio, o nojo e o ódio”...
A vida é curta demais para lamentações. Devemos chegar ao final inteiros, maiores e, claro, com o sentimento vivo de que valeu a pena escolher, sofrer e aprender, porque a razão - busca eterna e incansável pela felicidade - justifica tudo.